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19/03/2013

Ronaldo Cunha Lima recebe homenagem no dia em que completaria 77 anos



Num plenário lotado, sessão especial do Senado em homenagem à memória intelectual e à carreira política de Ronaldo Cunha Lima foi marcada pela emoção.               


  
A memória intelectual e a carreira política e literária de Ronaldo Cunha Lima  foram relembradas em sessão especial do Senado Federal na noite desta segunda-feira, 18 de março. Familiares, amigos e colegas subiram ao plenário da Casa para dissertar poemas famosos do poeta – como gostava de ser chamado – e contar passagens vividas ao lado do político paraibano, que faleceu no último dia 7 de julho. Todos enalteceram Ronaldo Cunha Lima como um humanista, uma pessoa verdadeiramente do povo e um poeta brilhante. O político, natural de Guarabira, ocupou todos os cargos dos poderes legislativo e executivo, exceto o de presidente da República. A Sessão foi uma proposta do senador Cícero Lucena (PSDB-PB) e subscrita pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).



O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que presidiu a homenagem, referiu-se a Ronaldo Cunha Lima como uma personalidade multifacetada e destacou bandeiras defendidas por Ronaldo, que encontram ressonância na atuação de seu filho Cássio, no Senado.

“A defesa da transposição do rio São Francisco, a educação e luta por portadores de necessidades especiais são alguns exemplos das ações que você herdou”, disse o presidente em referencia ao parlamentar filho de Ronaldo. Entre os familiares estiveram presentes, os outros três filhos – Ronaldo, Glauce, Savigny – e a esposa Glória Cunha Lima, citada diversas vezes pelos oradores como exemplo de companheirismo e solidariedade.

FAMÍLIA – Cássio Cunha Lima confessou as dificuldades que teve para preparar o discurso devido à emoção, mas compilou poemas do seu pai que contavam, em versos, passagens da vida de Ronaldo e suas relações com a política, a família e vida. “Ronaldo foi um vitorioso, um visionário, mas sobretudo, um humanista”, disse Cássio.

Ivandro Cunha Lima descreveu o irmão mais novo como o líder natural da família, que dedicou-se às letras desde cedo demonstrando um poder de comunicação muito forte. “Vejo essa homenagem como um filme passando diante de mim. Lembro-me quando ficamos órfãos ainda muito jovens. Eu assumi voluntariamente uma paternidade afetiva e acompanhei toda a sua trajetória política que foi brilhante”, relembrou.

“Como irmão mais velho participei da formação intelectual e da carreira política de Ronaldo. É emocionante ver o Senado repleto para homenageá-lo”, disse Ivandro Cunha Lima, momentos antes da solenidade, visivelmente emocionado. 

Pedro, neto de Ronaldo Cunha Lima, impressionou a plateia que ocupou inteiramente o Plenário do Senado durante quase três horas. Mostrando desenvoltura com as palavras disse que, enquanto durou, a relação com o avô era de amor. “Sutilmente, sem forçar o aprendizado, nos guiava como família e a mim, como pessoa”, disse o jovem. Para Pedro, o maior ensinamento que Ronaldo lhe deixou foi “a maneira especial de interagir com qualquer ser humano”.

AMIGOS – Maria do Socorro Loureiro viajou oito horas de Campina Grande até Brasília. Aos 76 anos, ela era amiga de Ronaldo desde a adolescência, além de viúva de José Loureiro, grande amigo e dono do primeiro escritório de advocacia onde Ronaldo trabalhou. “A amizade entre eles era muito grande. Eu não poderia deixar de vir”, afirmou. Segundo Maria do Socorro, durante o tempo em que Ronaldo Cunha Lima esteve fora de Campina Grande, perseguido pela ditadura, o local onde ele trabalhava ficou vazio.



Félix Araújo falou em nome dos amigos de Ronaldo




Também subiram ao plenário para discursar, o ex-prefeito de Campina Grande, Félix Araújo Filho, o jornalista José Nêumanne Pinto, o escritor Luiz Nunes, representando a Academia Paraibana de Letras e Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras.  No início da solenidade, o poeta Luiz Vieira dissertou o clássico poema Habeas Pinho, que pedia, em forma de poesia, a liberação de um violão confiscado a um grupo de seresteiros.

Os senadores José Agripino Maia (DEM-RN), Cyro Miranda (PSDB-GO), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP), Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), Lindbergh Farias (PT-SP) e Cícero Lucena (PSDB-PB) renderam homenagens a Ronaldo e falaram sobre a sua trajetória política e intelectual. Os senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Luís Henrique (PMDB-SC) participaram da solenidade. Já Pedro Simom (PMDB-RS) deixou registrado nos anais da Casa a sua fala sobre o Poeta.  

Familiares, comandados por dona Glória Cunha Lima estiveram na homenagem a exemplo de dezenas de amigos e admiradores de Ronaldo estiveram presente na Sessão em homenagem a Ronaldo, como o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, o vice governador Romulo Gouveia, representando o governador Ricardo Coutinho, os ex parlamentares Marcondes Gadelha, Milton Cabral Raymundo Lira. Os deputados estaduais João Gonçalves e Lindolfo Pires, representando a Assembleia Legislativa da Paraíba. Representando a Câmara Municipal de João Pessoa estiveram os vereadores Bruno Farias e Raoni Mendes e Bruno Cunha Lima representou a Câmara de Campina Grande.

Por volta das 22h, teve início o lançamento de uma nova edição do livro “Eu e Outras Poesias”, do escritor paraibano Augusto dos Anjos, cuja obra era uma das especialidades de Ronaldo Cunha Lima. O relançamento foi preparado pela Academia Paraibana de Letras, da qual o poeta fez parte, ocupando a cadeira de número 14.

Fonte: site cassiocunhalima

Assessoria do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Fotos: Jaciara Aires

07/07/2012

A Poesia com o adeus de até logo do seu mais querido autor


“Dá para contar nas mãos os meus amigo,
amigos que me abraçam e que eu abraço.
Às vezes erro as contas e as refaço
pela ausência de amigos mais antigos.

Não consigo contar os inimigos,
se inimigos reais eu nunca faço.
Não os vejo da vida em meu espaço,
nem pressinto no tempo os seus fustigos.


 
 E se nenhum amigo eu mais contasse
e a vida de ser só não me bastasse,
bastaria lembrar-me de Jesus.

Bastaria, somente, que O louvasse
para sentir presente, face a face,
o Amigo que por mim morreu na cruz”.

(Ronaldo Cunha Lima)

___________

Segue, adiante, linda mensagem do Jornalista Luís Tôrres:

Como jornalista, não cobri as eleições de Ronaldo Cunha Lima. Não escrevi uma linha sequer quando foi governador. Nem quando ele rompeu com Maranhão em 98 ou sofreu a primeira crise de AVC um ano depois.
Não acompanhei suas vitórias. Não registrei suas derrotas. Não comentei suas brigas. Não elogiei seus atos. Não critiquei seus erros.
De 2000 pra cá, apenas registro de seu estado de saúde, uma ou outra palavra sobre a campanha dos outros e nada mais.
Perdi muita coisa da vida do poeta pra, hoje, ter que escrever sobre sua morte.
Não choro como os outros que conviveram com Ronaldo há tempos. Eles perderam o poeta uma vez. Eu perdi duas.
Perdi o Ronaldo cheio de histórias, causos, afetos, palavras e gestos. Os que choram por terem o conhecido mais do que eu só o perderam hoje.
Por entrar depois no jogo da vida, eu deixei de conviver com o político do sorriso frouxo, do afago popular, do gosto simples, da genialidade linguística.
Quase tudo o que sei sobre o poeta vem dos outros.
E isso aflige mais do que qualquer morte. Aos que tiveram o privilégio de “viver Ronaldo Cunha Lima” durante todo esse tempo, minha mais profunda e positiva inveja.
Vocês lamentam porque sabem o que perderam. Eu porque não soube.
Pra fechar seu livro em vida, o poeta produziu atos que não fogem à regra da vida de emoções que viveu.
Do “coração forte”, segundo os médicos, que o segurou mais do que a Medicina explicava, aos pedidos insistentes pra ir a Campina Grande nos últimos dias, Ronaldo Cunha Lima parece ter morrido da mesma forma como vive: intensamente.
Tinha um sorriso guardado pra cada amigo que o visitou recentemente. E na dor o sorriso não é gentileza. É heroísmo. Já tentou sorrir sofrendo?
Como quem a repetir Pessoa, Ronaldo se colocou fingidor de uma dor que deveras sentia. Sabia que estava indo embora, mas não queria ser chato nem na despedida.
A vida não se mede por tempo. Mas pela qualidade.
A mim, particularmente, o poeta Ronaldo Cunha Lima, que viveu mais do que qualquer outro em vida, deixou uma riquíssima lição mesmo que por meio dos outros.
Se vamos morrer todos que seja apenas, e tão somente, depois da morte. Nunca antes.
Viva poeta!
P.S> E, em homenagem à admiração do poeta com o Augusto dos Anjos, vai um poema do autor do EU, chamado de VENCEDOR, que resume muito bem a vida de Ronaldo Cunha Lima:


VENCEDOR

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração - estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...
E não pôde domá-lo enfim ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta